Sobre não passar no Curso Abril de Jornalismo

Da primeira vez que me inscrevi para o Curso Abril de Jornalismo, em 2012, eu tinha certeza que iria passar. Minha certeza era tão grande que eu sentia que não existia a possibilidade de isso não acontecer. Afinal, foram quatro anos ouvindo de professores, colegas e mestres que eu tinha nascido para aquilo e meu momento finalmente tinha chegado – ou, pelo menos, eu pensava que tinha.

Sendo assim, é evidente que eu não estava preparada para o retorno negativo que veio a seguir: não fui convocada nem para fase de entrevistas presenciais. Meu mundo simplesmente caiu. Extremamente imatura, minha reação foi a pior possível e eu comecei a questionar minha capacidade profissional.

Hoje, consigo ver que o meu erro foi que eu pensei demais, me esforcei demais, tentei demais e acabei enfiando os pés pelas mãos. Passei dias e dias em frente ao computador para escrever um texto que, após terminado, não fazia jus à minha personalidade.

Quando chegou a hora, pensei muito se devia tentar uma segunda vez.  E, assim, de supetão, decidi que sim. Escrevi o texto em menos de meia hora, no bloco de notas do Windows e enviei minha inscrição sem revisar. Sim, eu sou uma pessoa de extremos.

E, um belo dia, estava lá: o e-mail que eu tanto esperei dizendo que eu tinha sido uma das 336 pessoas selecionadas para a fase de entrevistas. Eu não me cabia de tanta felicidade. E estava decidida a fazer direito, dar o melhor de mim para conseguir essa vaga. E, sem perceber, comecei a me perder de novo…

Só conseguia pensar nisso e comecei a pesquisar sobre entrevistas de candidatos de anos anteriores. Foi quando descobri Edward Pimenta. Todos os relatos que li de pessoas que passaram por entrevistas com ele o descreveram como extremamente crítico, afiado, inteligente e muito exigente. Isso me apavorou.

Daí para frente passei o período entre o recebimento do e-mail e a entrevista tentanto ser uma pessoa por quem Pimenta se interessaria – em vez de tentar ser somente a melhor versão de mim mesma. Até que o dia finalmente chegou.

Acho que nunca fiquei tão nervosa em minha vida. Cheguei com mais de uma hora de antecedência, então tive tempo de comer alguma coisa na lanchonete da editora e fui até um dos banheiros para me acalmar. Uma das faxineiras me perguntou se eu estava lá para uma entrevista e me desejou boa sorte.

Quando finalmente chamaram meu nome, fui recebida por um rapaz loiro de sorriso simpático. Afinal, não seria Pimenta que iria me entrevistar. Não sei explicar direito o motivo, mas me senti aliviada.

Sérgio Gwercman se apresentou e explicou que gostaria de conversar. E assim foi. Perguntou quem eu era e procurou meu texto na pilha de papéis ao seu lado, quando finalmente encontrou suas palavras foram música para os meus ouvidos: “Ah, você é a menina do texto criativo”, ele disse. Não pude conter um sorriso.

Foram os vinte minutos mais tranquilos que eu poderia esperar daquele dia. Gwercman parecia genuinamente interessado em saber quem eu era e do que eu gostava. Entre outras coisas, me disse que eu tinha cabeça de editora e não de réporter. Também falou que quando leu meu texto de inscrição, não sabia se eu queria ser jornalista ou escritora – o que eu resolvi encarar como um elogio.

Quando o nosso tempo terminou, fiquei como um nó no estômago porque passou tão depressa e eu tinha tanto para dizer. Mas, saí de lá satisfeita e feliz porque estava com aquela sensação de que tinha valido a pena chegar até ali só pelo valor daquela experiência, independente se eu iria passar ou não. E eu não sou uma pessoa que costuma sentir esse tipo de sensação.

No final das contas, acabei não passando. E admito que fiquei bem triste. Mas, não como da primeira vez. Lamentei pelo que deixaria de aprender e logo em seguida levantei a cabeça para seguir em frente. Tenho sorte de ter tido pelo menos aquela conversa com Gwercman, já que Pimenta no dos outros é refresco.

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