O cruel jogo do “E se…”

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Minha terapeuta vive me dizendo que preciso dar mais valor para o agora. Há tempos que ela tenta me fazer mudar o hábito de cair na armadilha do “E se…”. Vocês sabem, aquele joguinho maldoso e cruel que fazemos com nós mesmos quando ficamos imaginando como uma situação poderia ser se tivéssemos feito algo de diferente, em vez de a apreciarmos como ela realmente é. Eu sou craque nisso.

Esse é um jogo que tenho jogado desde que me entendo por gente. Não importa o resultado de uma coisa, eu sempre dou um jeito de imaginar como ela poderia ter sido se algo tivesse acontecido de maneira diferente. Geralmente, na minha cabeça, os cenários que imagino sempre parecem muito melhores, mais promissores e sedutores do que a situação real. Resultado: eu sempre acabo frustrada. Não importa se a situação real é boa – para mim, ela sempre poderia ter sido ótima.

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Mas, esse nem é o maior problema desse hábito. Afinal, desejar coisas melhores no futuro é o que nos move para frente, certo? O maior empecilho é que muitas vezes eu deixo de perceber o quanto já conquistei por estar tão concentrada no que poderia ter conquistado.

Por exemplo: às vezes me pego pensando no quanto teria sido perfeito se eu pudesse ter me casado antes de vir morar com o meu namorado. Eu deveria estar maravilhada em ter a oportunidade de dividir o teto com o homem que amo e ficar feliz de que ele queria dividir sua vida comigo, não é? Mas, em vez disso, deixo os detalhes da vida perfeita que idealizei na minha cabeça me atrapalhar na hora de perceber as realizações da vida real.

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Agora, imaginem viver desse jeito. Sempre achando que nada, nunca, está bom o bastante. Terrível, não é? É claro que devemos sempre buscar o melhor… No entanto, também faz bem acreditar que de vez em quando o que conseguimos é o suficiente. Aliás, é mais do que suficiente. O que conseguimos é o melhor que poderíamos e isso é ótimo! Porque se deixar levar pelo jogo do “E se” por tempo demais pode ser uma armadilha e tanto.

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4 comentários sobre “O cruel jogo do “E se…”

  1. Não estou sozinha nesse mundo? Penso muuuuito nisso! E se eu tivesse feito biologia e não hotelaria? E se eu tivesse feito Anhembi e não São Marcos? E se eu não tivesse entrado nesse concurso que estou (que paga pouco, mas me tenta pela estabilidade)?. É horrível!

    • Não está sozinha, Guaci! Mas, se você quer um conselho: procure se policiar para fazer isso cada vez menos. A terapia me ajudou muito nisso, pena que tive que parar… Mas, entrar nessa onda é tiro certo para acabar frustrada.

      • Com certeza, Ni! Eu tento me policiar sim, afinal, já tá feito. Mas é inevitável. Eu tenho muita vontade mesmo de fazer terapia, mas tomar um banho lavando o cabelo e fazendo hidratação de 3 minutos é o ponto alto da vaidade na minha vida nesse momento :(. Por que vc parou?

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